1 O Senhor reina! Vestiu-se de majestade; de majestade vestiu-se o Senhor e armou-se de poder! O mundo está firme e não se abalará.
2 O teu trono está firme desde a antigüidade; tu existes desde a eternidade.
3 As águas se levantaram, Senhor, as águas levantaram a voz; as águas levantaram seu bramido.
4 Mais poderoso do que o estrondo das águas impetuosas, mais poderoso do que as ondas do mar é o Senhor nas alturas.
5 Os teus mandamentos permanecem firmes e fiéis; a santidade, Senhor, é o ornamento perpétuo da tua casa.
Este Salmo pode ser ambientado no período pós-exílico e está em uma relação polêmica com os relatos de criação da região da Mesopotâmia. As narrativas de criação do Antigo Oriente Próximo, a exemplo do que sabemos sobre a antiga região entre os Rios Tigres e Eufrates, falavam de um universo originado de uma caótica luta entre deuses – Marduk e Tiamat. Combatendo esta perspectiva, o salmo fala de um cosmos estável e solidamente estabelecido pelo consistente trono de Javé. Contrariando a concepção de que a vida humana tem pouco valor porque originada de matéria de uma divindade derrotada, a Bíblia afirma a dignidade do gênero humano, mesmo que este seja indicado como pecador.
Um dos símbolos mais tradicionais do caráter caótico do mundo vétero-oriental antigo é a água. Destaque especial merecem as águas superiores e os oceanos, na época, muito distantes de serem desvendados pelos navegadores. No Salmo 93 as águas aparecem como clamorosas, agitadas, barulhentas e assustadoras. Em oposição ao medo despertado pelas águas, está a presença mansa, santa e estabilizadora de Deus. O seu poder é visto como superior a qualquer força desestabilizadora ou que possa parecer ameaçadora para o mundo criado ou a vida que nele habita.
Este salmo pode ser relido a partir da perspectiva de que o crente deve manter uma atitude de confiança no poder soberano de Deus sobre todas as forças ameaçadoras, sejam espirituais ou naturais. Embora muitos poderes religiosos e seculares se levantem nos dias de hoje como ameaça ao nosso planeta (crise ecológica) ou às nossas frágeis vidas (injustiça social), a promessa da Palavra de Deus é a de que o poder de Deus é e será sempre superior e capaz de neutralizá-los. O ser humano é convocado a ser um co-agente na transformação benigna do planeta e da qualidade de vida de uma forma geral.